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Redução de taxas e deflação do IPCA: economistas apostam em Selic em 4,5%

A continuidade na política de redução da taxa básica de juros do Banco Central, combinada com um resultado de deflação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), tem levado o mercado financeiro a apostar em uma política monetária cada vez mais frouxa, com a Selic caindo a 4,5%.

Atualmente a taxa se encontra na mínima histórica de 5,5% ao ano. No entanto, a expectativa do mercado financeiro é de que ainda sejam feitas reduções nas próximas três reuniões do Conselho de Política Monetária (Copom) até o fim do ano. Além do recuo de 0,04% no IPCA de setembro, a variação positiva de 0,1% no comércio varejista mostram que a economia brasileira segue praticamente travada. Assim, as portas estão abertas para que a autoridade monetária invista ainda mais no movimento de queda do juros.

Na visão de Rafael Leão Parallaxis, economista-chefe da Parallaxis Economics e Data Science, a priori, os riscos de o Banco Central não reduzir a taxa Selic são mais prejudiciais do que a política de redução. “Os núcleos de inflação estão bem controlados e isso reflete um amplo espaço para a queda de juros. De quebra, embora não seja a bala de prata, a redução da Selic a 4,5% ajuda a estimular a economia, que ainda segue letárgica”, analisou.
Solange Srour, economista-chefe da ARX investimentos, destaca que essa aposta já vinha começando a se formar desde o início do segundo semestre. “É uma sequência de dados econômicos que tem feito o mercado revisar essa projeção. Apesar de vermos melhora na recuperação, o movimento de volta é muito gradual. Então, o Banco Central continua a tentativa de estímulo ao consumo”, explicou.

As principais ameaças à economia em decorrência de um país com juro abaixo dos 5%, são em relação a possibilidade de uma alta significativa na inflação. Para 2019, a meta está em 4,25%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

De acordo com Srour, a maior parte das consequências de uma taxa básica de juros baixa são positivas. “Com isso teríamos, em teoria, uma retomada econômica mais rápida, recuperação da capacidade ociosa, que está alta hoje. Com uma inflação controlada, os riscos são praticamente só positivos”, ressaltou.

Ela destacou que a maior preocupação do BC, no entanto, deve ser voltada para a inflação do próximo ano, já que os dados de 2019 estão praticamente fechados. “A análise deve ser como as projeções de 2020 e 2021 são afetadas por uma Selic tão baixa”, disse. Para o ano que vem, a meta é de 4%, com a mesma tolerância.

Outro risco, segundo Srour, é que uma depreciação do real influencie as expectativas da inflação. “Mas hoje essa possibilidade é muito baixa. Mas ainda assim, com uma recuperação atual tão lenta, mesmo com o câmbio a R$ 4,20, as previsões do IPCA não foram influenciadas”, ponderou.

Leão também alertou que, em condições econômicas normais, essa redução tem um limite, que seria a valorização do dólar. “Mas não estamos em condições normais, temos uma ociosidade grande, então, o câmbio não repassa para a inflação. O Banco Central está em uma posição relativamente confortável para a redução”, afirmou. Ele ressaltou, no entanto, que provavelmente a autoridade monetária brasileira não precisará ultrapassar para menos de 4,5% a taxa.

Pelo lado negativo, a questão da pouca atratividade, em decorrência dos juros baixos, do país para investimentos seria a maior preocupação. “Apesar de o Brasil ficar menos atrativo, hoje também não tem atraído tanto investimento. O importante é melhor o consumo e estimular a economia”, comentou Srour.

Fonte: Correio Braziliense




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