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Classe Contábil
PUBLICADO 7 anos ATRÁS.

Negociação começa com C, de controle.

* Hugo Amano

 

Por necessidade ou oportunidade, é inegável a capacidade empreendedora dos brasileiros. Muitos deles começaram seu negócio no fundo do quintal e conseguiram erguer uma empresa sólida e com centenas de funcionários, fato que chama a atenção dos concorrentes e de investidores. É neste cenário, cada vez mais frequente, que a auditoria assume um papel ainda mais estratégico.

 

No momento em que investidores interessados no negócio entram em contato com o empreendedor, este já cria uma grande expectativa com relação ao valor da sua empresa. Na maioria das situações, ele acha que seu negócio vale muito mais do que o montante proposto pelo investidor.

 

Após extensa negociação para eliminar e ajustar as expectativas de ambas as partes, é preciso efetuar uma avaliação da empresa. Muito se fala no fluxo de caixa descontado ou múltiplo no EBITDA (lucro antes dos juros, imposto de renda, depreciação e amortização) como principais métodos de avaliação utilizados nas negociações. O valor de uma companhia é medido por sua capacidade futura de geração de caixas.

 

Na maioria dos casos, os potenciais compradores vão analisar as informações trabalhistas, previdenciárias e tributárias da empresa a fim de certificar que todas as promessas e conversas realizadas no início do “namoro” são realmente verdadeiras e estão refletidas na contabilidade.

 

Durante o processo de due diligence, qualquer ação ou procedimento tomado pela empresa que esteja em desacordo com as legislações vigentes será objeto de discussão e, certamente, a contingência será descontada do valor final da empresa. Um tributo que não foi recolhido, uma receita não contabilizada ou uma contratação irregular de funcionário são exemplos de contingências que serão mensuradas e deduzidas do valor obtido por um dos métodos de avaliação.

 

Um trabalho de auditoria bem conduzido prepara a empresa para enfrentar esse tipo de situação. A auditoria recorrente percorre as principais áreas e departamentos, detecta, corrige e previne contingências de natureza tributária, trabalhista ou previdenciária.

 

Todo o relatório de auditoria deve ser discutido com a direção e contém os problemas importantes levantados durante o trabalho, as suas consequências e a solução do problema. A cada trabalho, serão verificadas as providências tomadas pela administração para regularizar o problema levantado inicialmente, bem como, ao explorar novas áreas, poderão ser identificados novos pontos a desenvolver.

 

Com o auxílio da auditoria, o empreendedor pode concentrar mais seu tempo na sua atividade-fim, ou seja, melhorar a capacidade de geração de caixa da empresa, se concentrando no aumento do volume de vendas ou na negociação com fornecedores. Além disso, um histórico de relações e parcerias com uma auditoria pode atrair investidores com mais facilidade.

 

Infelizmente, o empreendedor brasileiro não se preocupa com a prevenção de problemas e paga um alto preço no momento de negociar a sua empresa. Mas a atual turbulência no mercado mundial pode estimular alianças estratégicas, aquisições ou vendas de empresas, não importando o porte. Nunca vamos saber quando e nem onde vamos cruzar com os investidores, que podem chegar e sair com a mesma velocidade. E o que nos resta? Ter preparo e controle para abraçar oportunidades.

 

* Hugo Amano é diretor da divisão de auditoria contábil da BDO Brazil


Autor: sem foto Hugo Amano


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