Conteúdos e cursos para contadores, empresários, gestores, advogados e estudantes

×
Siga-nos:
Classe Contábil
PUBLICADO 7 anos ATRÁS.

Investimentos: quando o comodismo sai caro

Marcelo Domingos*

Este breve artigo tem o objetivo de levar investidores a repensar suas estratégias. O conservadorismo tem seu lado bom, da razão, mas também o lado perverso, quando em excesso transforma-se em descaso e atraso.

 

Como esperado, em recente reunião do Copom, o Banco Central acabou por reduzir a taxa Selic a 8% anuais numa decisão unânime, e parece bastante razoável esperarmos novas reduções nas próximas reuniões que acontecerão em agosto e outubro. Nosso país vive um momento extremamente interessante, inédito, porque combina um ambiente macroeconômico internacional delicado com menor atividade também no mercado doméstico (cresceremos no máximo 3% em 2012), o que torna a discussão sobre até quando a taxa Selic pode ser reduzida mais importante. Isto considerando que existe certa coordenação entre as políticas monetária e fiscal.

 

Este aspecto e a recente apreciação cambial e sua transferência para os preços poderão fazer com que a queda não seja tão consistente, mas mesmo assim está claro que os atuais dirigentes do Banco Central, encontram-se dispostos a pôr em prática uma ousada política de redução dos juros. Esta queda acentuada e importante da taxa Selic poderá ser o legado mais marcante deste Governo.

 

Esta redução dos juros, por sua vez força investidores de todos os tipos a repensar seus investimentos. A realidade ficou mais dura para os Fundos de Pensão, por exemplo, que além dos desafios de bater metas atuariais, num cenário onde o participante cada vez vive mais, passará de agora em diante a ver sua carteira de títulos públicos e aplicações tradicionais renderem menos. Espera-se que este fato desperte uma discussão muito mais ampla sobre investimentos, onde fundos multimercado, de ações e participações passarão a ter participação crescente em seus portfólios, ajudando na criação de valor.

 

Pode-se aplicar o mesmo raciocínio aos investidores em geral, as pessoas físicas, que terão que ir bem muito além das aplicações tradicionais daqui em diante, seguindo uma diversificação racional de seus investimentos. Aos mais atentos: interessante observar ainda que existe uma tendência de crescimento dos gestores independentes (aqueles não ligados aos bancos de varejo), que costumam oferecer produtos mais sofisticados a custos menores, e assim contribuem para gerar retornos mais consistentes aos investidores. À medida que o tempo passa, a internet e os rankings fazem crescer também a comparação entre os gestores mais competentes. Este movimento ocorreu nos Estados Unidos na década de 70, liderado por empresas como Fidelity e Charles Schwab, e agora já floresce por aqui também, servindo de plataformas alternativas (e benvindas) aos gestores de recursos independentes.

 

Investir não ficou mais difícil: apenas estamos vivendo no Brasil uma evolução no tema Investimentos, em que conviveremos não somente com mais risco, mas com mais transparência de custos aos investimentos, e maior sofisticação também. Já era assim no mundo inteiro, menos aqui. Os investidores que procuram maior rentabilidade terão que tomar um pouco mais de risco.

Cada vez mais comum será a postura de longo prazo, onde o investidor não está de olho no sobe e desce da bolsa, mas na efetiva participação em empresas promissoras e que ofereçam o menor risco possível. Contar com os serviços de gestores capazes de analisar e principalmente monitorar seus investimentos será também palavra de ordem, pois diversos são os pontos críticos relacionados aos ativos de investimentos que precisam ser analisados e monitorados de forma plena (estrutura acionária; management; avaliação econômico-financeira; dentre outros), a fim de trazer retornos destacados num ambiente dinâmico. Aos investidores que não adotarem uma postura mais moderna, sejam eles os Fundos de Pensão, sejam pessoas físicas mesmo, ficará uma “conta” pra pagar, pois não haverá mais rentabilidade nas modalidades mais tradicionais, que são exatamente aquelas às quais a maior parte dos investidores está acostumada. Benvindo mundo novo.




COMPARTILHAR

Deixe uma resposta

*Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Leia também

Receba gratuitamente nosso boletim de artigos e notícias em seu e-mail