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PUBLICADO 16 anos ATRÁS.

Integração Acadêmica

Há muito se tem observado que a graduação acadêmica não é garantia real de emprego para o recém formado que ingressa no mercado de trabalho. O mercado quando oferece uma oportunidade, procura nos candidatos não só a formação acadêmica mas também outros talentos como criatividade, versatilidade, autoconfiança, entre outros – quase sempre inexplorados durante a vida acadêmica, seja pelo próprio acadêmico ou pela instituição de ensino.

Precisamos ter consciência de que o emprego de seres humanos nas tarefas que exigem força bruta, assim como aquelas que para serem realizadas requerem somente aptidão mecânica do seu executor, estão fadadas ao desaparecimento. As máquinas realizam esse tipo de serviço com maior rapidez e qualidade que seres humanos e de maneira muito mais econômica para as empresas, considerando que, praticamente, extinguem os acidentes e a incidência de doenças profissionais – principalmente a LER e a DORT – relacionadas a esse tipo de trabalho.

Em contrapartida, a velocidade com que são realizadas as transações comerciais em nosso mundo globalizado, exige das organizações a manutenção de uma equipe profissional altamente capacitada.

Profissionais que estejam prontos para enfrentar os desafios de um mercado cada vez mais igualitário em preços e qualidade dos produtos. Profissionais com visão sistêmica, preparados para explorar todos os recursos à sua disposição na busca do êxito profissional e, como conseqüência, o êxito nos objetivos das organizações a que eles estejam ligados.

A velocidade e qualidade exigidas pelo mercado de consumo impõem, à grande parte das empresas, obstáculos de competitividade que somente serão vencidos com soluções ágeis e inovadoras de profissionais preparados para enfrentar esses desafios. Por isso, a demanda por esse perfil profissional sempre será maior do que a oferta do mercado de trabalho. As organizações necessitam de colaboradores que detenham a capacidade de raciocínio lógico,

comando, carisma e de excelente relação interpessoal. Pessoas que além da atualização permanente sobre a sua profissão, se atenham às mudanças políticas, econômicas e sociais, enfim, percebam o mundo a sua volta.

As barreiras para o crescimento e desenvolvimento de uma organização sempre será a ferramenta que garantirá a atividade de um profissional competente e, sobretudo, para o observador que pesquisa soluções para contornar as dificuldades que se postam no dia-a-dia das empresas.

Para que os acadêmicos, na qualidade de futuros profissionais, tenham melhores chances de atingir o perfil profissional exigido pelo mercado de trabalho, faz-se necessário o empenho mais marcante das instituições educacionais. É notória a necessidade de inovações no ensino e na disseminação do aprendizado, abandonando de vez métodos didáticos unidirecionais, que não atraem a atenção e o interesse dos acadêmicos.

Estamos na era da inovação tecnológica e do entretenimento. Será que nossos mestres estão explorando todos esses recursos devidamente?

Será que, profissionalmente, estão explorando a sua criatividade e inovação, tão necessárias a todos os profissionais?

Quão exemplar estão sendo nossos mestres?

Será que há relação entre a desmotivação do acadêmico e o sistema educacional adotado?

Será que as instituições educacionais estão construindo no acadêmico o verdadeiro conhecimento, ou estão, simplesmente, dando continuidade à cultura metodológica de educação que prepara o estudante para apenas “memorizar” o que seus professores os

ensinam?

Às instituições educacionais cabe um papel muito maior. Assim como a essencial tarefa de edificar o verdadeiro conhecimento, cabe estimular a pesquisa científica, a verdadeira formação profissional e o desenvolvimento de um conjunto de oportunidades que colaborem com a inserção do recém formado no mercado de trabalho, minimizando cada vez mais a distância entre o acadêmico e a profissão escolhida. Em complemento a função educacional, cabe cumprimento à função social, alcançada através da multiplicação do conhecimento em todos os segmentos da sociedade com interesse em absorvê-lo.

Como uma das maiores preocupações do acadêmico é, sem dúvida, a sua inserção no mercado de trabalho após a formação profissional, deixo aqui a minha sugestão para um projeto que a meu ver poderia estimular o interesse do acadêmico em desenvolver pesquisas, estreitar sua relação com o mercado de trabalho e ao mesmo tempo exercitar a função social das instituições educacionais de nível superior, através da partilha do conhecimento com a sociedade, em especial, com o segmento empresarial.

Talvez, esse possa ser um dos caminhos para interagir o acadêmico com conhecimento. Apresentá-lo aos problemas diários que as empresas enfrentam para continuar sendo competitivas no mercado em que atuam. Se não for da forma proposta, que se proponham outras. O importante é estar consciente de que somente haverá desenvolvimento social e econômico quando as empresas passarem a freqüentar o universo acadêmico e este o universo empresarial.

Projeto de Integração Acadêmica:

1º Etapa:

Pesquisa junto à classe empresarial de diversos segmentos da sociedade local, com o objetivo de obter os temas de maior interesse, ou aqueles em que os empresários sentem maior dificuldade de obter conhecimento. Exemplo: formação de preços, importação e exportação, recursos humanos, administração, políticas de qualidade, análises econômicas e financeiras, análises de viabilidade, normas contábeis, auditoria, perícias, controles internos, financiamentos,

recuperação de créditos, planejamento financeiro, planejamento tributário, etc…

Obs: Esta e outras etapas poderiam ser realizadas com auxilio das Empresas Juniores, fomentando assim suas atividades e criando uma relação mais efetiva desta com a classe empresarial local.

2º Etapa:

Proposição, pela instituição de ensino, de desenvolvimento de trabalhos científicos pelos acadêmicos sobre os principais temas indicados pela pesquisa e outros temas de livre escolha.

3º Etapa:

Realização de um evento pela universidade – que poderia denominar-se “Convenção de Integração Acadêmica” – onde seriam apresentados os melhores trabalhos, ou seja, os que melhor atenderam as necessidades das empresas pesquisadas, concedendo um “Prêmio de Reconhecimento” aos seus autores.

Recursos:

Os recursos para a execução do projeto poderiam vir de diversas fontes, tais como:

I – Taxas de inscrição das empresas e acadêmicos com interesse na participação do evento; (obs: acadêmicos que desenvolveram trabalhos estariam isentos da taxa)

II – Patrocínio de empresas fornecedoras de produtos ou serviços de interesse dos participantes;

III – Apoio dos órgãos de classe empresarial;

IV – Venda de espaços para Workshop;

V – Subvenções institucionais;

VI – Outros.




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