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PUBLICADO 1 ano ATRÁS.

Guerra comercial se acirra no mundo e traz riscos para crescimento do País

Além do acirramento da guerra comercial entre os Estados Unidos (EUA) e a China nas últimas semanas, o conflito global ganha um novo episódio com as ameaças do presidente norte-americano Donald Trump ao México.

Essa piora do cenário externo traz riscos significativos ao crescimento econômico do Brasil, diz a estrategista de câmbio da Ourinvest, Fernanda Consorte. “A China é o nosso principal parceiro comercial, e os EUA são o segundo. Com esses países entrando em desaceleração, a demanda por mercadorias se reduz”, afirma Consorte.

Ela lembra que organismos internacionais, como FMI, Banco Mundial e OCDE têm cortado projeções de crescimento mundial em decorrência dos conflitos de comércio. A OCDE, por exemplo, diminuiu de 3,5% para 3,2% a projeção de alta para este ano. “É preciso lembrar que os anos em que o Brasil expandiu 6%, 7%, a demanda chinesa era crescente”, pontua Consorte.

A estrategista da Ourinvest conta que, logo que os EUA elevaram para 25% as tarifas de importação sobre US$ 200 bilhões de produtos chineses (no dia 7 de maio), uma cliente brasileira reclamou que não pôde mais exportar seus produtos para a China.

O país asiático teria emitido uma lista de mercadorias que não serão mais importadas de nenhuma nação, inclusive do Brasil. Para Consorte, esse episódio se relaciona com o projeto chinês de ser autossuficiente em sua produção até 2025. Segundo ela, Trump pode ter avaliado, em algum momento, que somente por meio da ameaça verbal poderia barrar o projeto chinês em curso. Porém, não foi isso que acabou acontecendo. “A China tem mostrado que não se dobrará tão fácil”, destaca Fernanda Consorte.

Ela acrescenta que, além de poder diminuir o crescimento do Brasil, o acirramento da guerra comercial pode provocar evasão de divisas do País, via mercado financeiro. Em momentos de aversão ao risco, os investidores preferem retirar seu dinheiro de países emergentes para alocar em economias mais seguras.

Conflito entre empresas

Além de elevar tarifas de importação sobre produtos chineses, Trump incluiu, no dia 15 de maio, a chinesa Huawei na sua lista de empresas “não-confiáveis” para se fazer negócios. A Huawei depende dos chips eletrônicos fabricados pelos EUA para montar os seus smartphones. Durante o mês de maio, Google e fabricantes de chips como Intel, Qualcomm e Broadcom já anunciaram que não irão mais ofertar serviços à Huawei.

Em retaliação, a China também anunciou, na última sexta (31), a sua lista de empresas “suspeitas” e ameaçou restringir exportações de minerais chamados “terras raras”, que são utilizados na fabricação de celulares e carros elétricos.

Para agravar ainda mais o cenário, Trump ameaçou impor tarifas punitivas de 5% sobre as mercadorias mexicanas, que aumentariam gradualmente para 25%, se o México não controlar a imigração.

O estrategista-chefe da gestora de investimentos Levante, Rafael Bevilacqua, analisa que essa medida do Trump não é inteligente nem mesmo do ponto de vista das empresas norte-americanas. “Há muitas companhias dos EUA que possuem produção no México”, comenta Bevilacqua.

Para ele, esse episódio “esquentou” o cenário de guerra comercial e pode trazer problemas de preço e de produção para diversos países. Segundo Bevilacqua, essa postura dos EUA tende a desvalorizar o dólar no curto prazo.

Saldo de comércio

Ontem, o Ministério da Economia divulgou que a balança comercial do Brasil registrou superávit de US$ 6,422 bilhões em maio. O resultado ficou perto da mediana de US$ 6,45 bilhões das estimativas, cujo intervalo ia de US$ 5,2 bilhões a US$ 7,4 bilhões.

O valor é 5,8% maior do que o registrado em maio do ano passado. Na quinta semana de maio (27 a 31), o saldo comercial brasileiro foi de um superávit de US$ 1,379 bilhão.

No mês passado, as exportações somaram US$ 21,394 bilhões, um aumento de 5,6% ante maio de 2018. Já as importações chegaram a US$ 14,972 bilhões, uma expansão também de 7,8%, na mesma base de comparação.

Fonte: DCI




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