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PUBLICADO 7 anos ATRÁS.

Ética: sua origem e influencia no mundo dos negócios

Jarib Fogaça*

Nos últimos tempos, a ética entrou no nosso cotidiano de forma mais acentuada.  Ouvimos falar em ética no governo, nas empresas, e em relação ao comportamento dos indivíduos. É impossível nos isolarmos ou ignorarmos esse conceito.

 

Não acredito que o assunto não fizesse parte da vida das pessoas no passado. A ética já é discutida há muito tempo. Platão, que viveu de 428-348 a.C., é identificado como o primeiro grande filósofo grego a tematizar em sua obra as principais questões éticas que chegaram até nossos dias.

 

Estamos vivendo a década da ética, ou das discussões sobre ela. Mas, afinal, como o tema se incorpora no mundo profissional? Quando fazemos um julgamento se um comportamento é ético ou não, estamos avaliando, sobretudo, baseado na nossa formação familiar, social e profissional.

No meio profissional temos, já há algum tempo, os códigos de ética. Nesses casos, eles são referentes à ética e conduta, poisprescrevem comportamentos a serem observados em certas circunstâncias. Comoexemplo, podemos citar o código de ética e disciplina da OAB, promulgado emfevereiro de 1995, e o do Conselho Federal de Contabilidade, atualizado em outubro de 1996, entre tantos outros.

Atualmente, estamos vendo um movimento de adoção por parte das empresas e corporações de códigos de ética próprios. Atitudes impróprias têm levado várias companhias a situações desagradáveis e algumasvezes catastróficas. O tamanho dessas empresas impossibilita o acompanhamento de todos de forma direta. Harmonizar o comportamento dos profissionais de uma organização de acordo com seu crescimento é um desafio muito grande.

O comportamento ético dentro das empresas faz parte de um assunto cada vez mais importante denominado governança corporativa. As organizações estão sendo requeridas a adotarem boas práticas de governança que são divididas em quatro componentes: a prestação de contas pela administração; a transparência das informações prestadas; a equidade no tratamento desses acionistas e; a responsabilidade corporativa, que objetiva a relação da empresa com os funcionários, fornecedores, clientes, governo, e até o próprio meio ambiente e a sustentabilidade.

Nesse contexto da governança corporativa é que a ética ganha vulto. As empresas estão sendo influenciadas a adotarem uma governança corporativa forte; e a ética dos profissionais é um dos seus principais componentes.

Talvez, as empresas maiores, com maior visibilidade ou de caráter público aparentem precisar mais de códigos, inclusive escritos. Entretanto, isso não tira a necessidade de que organizações menores e até as familiarestambém tenham seus códigos, mesmo que eventualmente não escritos, mas concebidos de forma clara pelo seu fundador, proprietário ou gestor principal, para que os demais indivíduos possam atuar de forma harmônica e em sintonia com uma conduta ética profissional.

É de se notar que esse tema, que já permeia a vida da humanidade há tempos, venha, principalmente nesta ultima década, fazer parte da vida corporativa através de sua estrutura própria de governo. As empresas se esforçam para adotar modelos de governança corporativa cada vez mais sólidos.

 

Acredito que nos resta a oportunidade de crescimento próprio e de reflexão pessoal sobre a ética. Para essa reflexão, faço uso das considerações do professor doutor em filosofia Danilo Marcondes, que baseado na reflexão de Sócrates sobre ética, em seu livro Textos Básicos de Ética de Platão a Foucault, diz: “Talvez, a lição socrática [sobre ética e moral] esteja [focada] principalmente na importância do desenvolvimento de uma consciência moral, de uma atitude reflexiva e crítica que nos leve a adotar comportamentos mais éticos, e não [somente] na formulação de um saber sobre a ética e seus conceitos”.

 

*Jarib Fogaça é sócio de auditoria da KPMG Brasil, responsável pelos escritórios da firma na Região Sudeste.




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