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PUBLICADO 7 anos ATRÁS.

Energia e comprometimento, metas para o setor sucroalcooleiro

José Osvaldo Bozzo*

 

Temos nos debruçado insistentemente, por meio de artigos, sobre o tema governança corporativa no setor de agronegócios, mais especificamente, no sucroalcooleiro. Recentemente também tratamos da questão da sustentabilidade corporativa, do estímulo à indústria do etanol, da aplicação das Tecnologias da Informação aos agronegócios, enfim, diversos assuntos correlatos.

Em recente debate e pronunciamento da presidente da República, Dilma Rousseff, foi discutida a questão dos necessários investimentos no setor sucroalcooleiro. Ressaltou-se que as organizações produtores de etanol e açúcar estão mais maduras, e a percepção que se tem é que as pessoas que atuam na área estão mais bem preparadas.

Nos últimos anos, o setor sucroalcooleiro no Brasil deu um salto no sentido do desenvolvimento aplicado à produção. Fato é que esta situação, favorável ao setor, está totalmente ligada ao processo de modernização e também a outros inúmeros fatores, tais como o surgimento do carro com motor flexível, o elevado preço do petróleo, além de preocupações relacionadas ao meio ambiente, como a questão do aquecimento global causada por emissões de gases, e, principalmente, a precisão de se buscar fontes renováveis de energia mais limpa.

Certamente, este cenário tende a ampliar a prosperidade do segmento, atraindo novos investidores para os próximos anos. Mas isso somente se houver uma intensificação nos estímulos por parte dos órgãos reguladores no sentido de beneficiar a produção e a viabilização da sustentabilidade dos negócios.

Temos notado a seriedade com que os empresários têm tratado a atividade canavieira nos dias de hoje, já que várias empresas têm se adaptado à modernização na colheita da cana, respeitando, sobremaneira, questões de natureza ambiental e trabalhista. Ainda assim, o setor segue sendo um dos principais geradores de emprego no país. Se considerarmos que haverá investimentos neste segmento, especialmente para a valorização da mão de obra qualificada e profissionalização em virtude da completa mecanização da colheita, inúmeras serão as transformações no perfil dos trabalhadores da área.

Trata-se de um desafio necessário para que haja efetivamente a capacitação e a valorização dos profissionais, sobretudo pela escassez de recursos humanos capacitados. É, portanto, essencial a recolocação dos trabalhadores agrícolas, antes cortadores de cana, que serão substituídos gradativamente pelas máquinas e por poucos profissionais envolvidos em sua operação.

Em várias ocasiões, já dissemos que o treinamento e desenvolvimento serão indispensáveis para suprir as necessidades de trabalhadores capacitados, não disponíveis no mercado atual, em decorrência da mecanização. É incontestável a importância dos biocombustiveis no Brasil e no mundo, e porque a cana-de-açúcar vir a ser considerada como a mais eficiente fonte para a produção do etanol. Também as expectativas no setor sucroalcooleiro e suas prerrogativas são exemplos de como as empresas, que estão buscando a melhoria contínua, podem oferecer uma melhor qualidade de vida aos seus trabalhadores.

Sabe-se que o setor de biocombustíveis ainda tem muito a crescer, o que gera grandes perspectivas. Quando se fala em dominar o mercado de combustíveis renováveis, notoriamente pela constante e diferenciada performance obtida, somos lembrados sempre pela excelência aplicada à produção do Etanol. O Brasil, considerado o maior fornecedor de álcool do mundo, tem um potencial muito grande para se manter no topo do setor sucroalcooleiro. Porém, é preciso haver comprometimento, não apenas na obtenção de lucro, mas sim no sentido de consolidarmos um país com potencial para ampliar o desenvolvimento de tecnologias inovadoras que possam contribuir para um mundo melhor.

Para se manter nesse patamar de crescimento, é essencial haver um incremento financeiro no setor, já que a expansão produtiva implicará na demanda por vultosos recursos. O BNDES, nesse sentido, tende a ser a principal fonte de empréstimos de longo prazo, desempenhando um papel relevante no setor. Em outras palavras, ainda é premente a necessidade de que sejam adotados incentivos focados no desenvolvimento e estímulo ao setor sucroalcooleiro. Além disso, a promoção de políticas públicas específicas para este importante segmento produtivo se torna indispensável.  

Em princípio, a adoção dessas políticas pode vir a ser confundida com a simples prática de concessão de subsídios. Porém, na verdade, tais políticas de incentivo e estímulo – como aquelas dedicadas às fontes alternativas de produção de energia elétrica (campo com atuação destacada do setor sucroalcooleiro) – são altamente indicadas em um país que desempenha um papel de liderança no campo da sustentabilidade. Ao final, tem de haver comprometimento, tanto do setor privado, como das autoridades representantes do segmento público, não apenas visando a obtenção de lucros, mas, sim, no sentido de construirmos um país diferenciado, com elevado potencial para contribuir com a evolução do uso de fontes energéticas mais adequadas e inteligentes.

 

*José Osvaldo Bozzo é sócio da área de Tributos do escritório de Ribeirão Preto da KPMG.




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