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PUBLICADO 6 meses ATRÁS.

Dólar atinge o maior patamar desde 5 de dezembro: R$ 4,18

A aguardada volta do investidor estrangeiro ao país parece ainda longe de acontecer, e aqueles que estão por aqui continuam mandando recursos para fora, em meio ao aumento das incertezas sobre a retomada mais forte da economia brasileira. Essa desconfiança se refletiu novamente no câmbio, nesta quarta-feira (15/1), quando o dólar teve alta de 1,31%, terminando o dia cotado a R$ 4,183 para venda — maior patamar desde 5 de dezembro.

Desde o início do ano até 10 de janeiro, os estrangeiros retiraram R$ 4,6 bilhões da Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Nesse período, foram realizados sete pregões. Segundo a Bolsa, não se via uma fuga tão grande de recursos do mercado acionário em período semelhante desde 2008, quando o mundo foi sacudido pelo estouro da bolha imobiliária norte-americana. O Ibovespa, principal indicador da B3, caiu 1,03% nesta quarta-feira (15/1), para 116.414 pontos, Entretanto, acumula alta de 0,66% no ano.

Na economia como um todo, segundo dados do Banco Central, o fluxo cambial — saldo entre entrada e saída de recursos do país — registrou entrada líquida de US$ 1,9 bilhão na última semana. Entre 6 e 10 de janeiro, a conta financeira ficou positiva em US$ 2,5 bilhões, enquanto a comercial ficou negativa em US$ 424 milhões. Com o resultado, o agregado de janeiro até o dia 10 ficou positivo em US$ 1,1 bilhão. O número é resultado de uma entrada de US$ 1,4 bilhão na conta de capital e de uma saída de US$ 300 milhões na conta comercial.

Vale lembrar, porém, que, em 2019, a saída líquida de dólares bateu recorde: US$ 44,8 bilhões. Até então, o maior deficit em um ano registrado pelo BC era de US$ 16,2 bilhões, computado em 1999.

Os estrangeiros estão decepcionados, principalmente, com a lenta recuperação da economia brasileira. Os investidores ressaltam que a fragilidade do crescimento pode ser confirmada pelos resultados fracos da indústria, dos serviços e do varejo, referentes a novembro do ano passado.

“Existe uma cautela do investidor de fora. Na semana passada, tivemos a divulgação de alguns dados que também não foram exatamente como o mercado esperava, como a queda da indústria e a inflação, que chegou a passar o centro da meta que era de 4,25%”, avaliou Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

“Não vejo razões para o dólar ficar abaixo de R$ 4 neste ano, apesar da liquidez no mercado externo. A economia está fraca e, quando ela não cresce, o investidor sai”, explicou o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.
Juros
O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, avaliou que um dos motivos da saída de dólares é a queda da taxa básica de juros (Selic), que está no piso histórico de 4,5% ao ano. “O pessoal, teoricamente, vai buscar rentabilidade melhor em outro país”, disse.

De acordo com o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, o real liderou a lista das moedas emergentes mais desvalorizadas nesta quarta-feira (15/1).“O BC está no meio de uma contradição. Ele não poderá cortar juros na próxima reunião do Copom, em fevereiro, porque o dólar está subindo e também não poderá subir a taxa básica porque a economia não está reagindo”, explicou. Pelas projeções dele, o dólar deverá encerrar o ano em R$ 4,30.

Comércio: alta de 0,6% em outubro

Apesar da liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e das promoções da Black Friday, as vendas do comércio varejista cresceram abaixo do esperado em novembro de 2019. A expansão de 0,6% em relação a outubro ficou abaixo da expectativa do mercado, de 1,1%. Mesmo assim, foi a sétima alta consecutiva no indicador. Em relação a novembro de 2018, as vendas cresceram 2,9%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo levantamento. O mercado financeiro previa alta de 3,8% nessa comparação. O faturamento do setor ainda está 3,7% abaixo do recorde alcançado em outubro de 2014.

Fonte: Correio Braziliense




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