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PUBLICADO 4 meses ATRÁS.

Com os juros em baixa, investidores têm que aumentar risco para lucrar

Após a redução da taxa básica de juros de 5,5% para 5% ao ano na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom), acredita que o cenário econômico esteja positivo para o controle da inflação, permitindo um novo ajuste de 0,5 ponto percentual em dezembro. Com a Selic na mínima histórica, a realidade dos investimentos e rendimentos no Brasil passará por mudanças.

A economista-chefe da XP Investimentos Zeina Latif, acredita que, com a nova taxa, haverá tendência de aumento na participação do crédito na economia do país. “É importante ter educação financeira em vez de tomar o juros baixo como um cheque em branco a consumir”, destacou. Ela ressalta que a redução dos juros pode passar uma falsa noção de que há condições de se pegar crédito e isso pode fazer com que o nível de endividamento da população suba.

Na avaliação de Luciana Ikedo, especialista em educação financeira, o brasileiro terá de mudar a forma tradicional de investimento para ter boa rentabilidade, já que os títulos de renda fixa passam a não ter um ganho real significativo. “Antes, a renda fixa trazia um resultado interessante mas, agora, é o momento para se buscar alternativas e olhar para novos fundos. Para ter um retorno positivo na carteira, o aplicador terá que correr mais risco”, afirmou.

Zeina Latif alerta que o juros baixos não trazem “só notícia boa”, e que o consumidor deve ter alguns cuidados. “É preciso aprender a poupar mais. Os juros menores também significam ter menos rendimento lá na frente. Para os planos de previdência, por exemplo, juros baixos são um problema, já que a quantidade que precisaria ser poupada terá de ser maior”, exemplificou. A economista da XP lembrou que acaba a fase em que o investidor não precisava de muito esforço para fazer o dinheiro render.

Perfil

Luciana Ikedo, no entanto, ressalta a importância de não perder a aderência ao perfil de investimento e capacidade de risco de cada um. “Apesar da mudança na economia, não podemos perder isso de vista. Entender o próprio perfil para que esteja alinhado com a carteira de investimento é essencial”, garante. Para ela, cada um tem uma necessidade e tempo de resgate, portanto, também é interessante manter uma reserva de emergência com liquidez mais imediata. “A questão da oscilação de preços na bolsa, é que muitos brasileiros investem sem calcular horizonte de tempo e, quando aparece um problema que exige a venda, as ações estão em baixa, ele perde”, alerta. Por isso, a especialista reafirma a necessidade de manter recursos em uma renda fixa, ainda que fuja da convencional poupança.

Pablo Spyer, diretor da corretora Mirae Asset, acha que o perfil do investidor brasileiro já segue o caminho para maiores riscos há alguns anos. De 2016 até hoje, a taxa Selic caiu de 14,25% ao ano para 5%. Em contrapartida, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3), ganhou mais de 877 mil investidores, alcançando 1,4 milhão em setembro deste ano. “Isso reflete a mudança do perfil do investidor brasileiro, mostra que o número de pessoas físicas que aposta na bolsa mais que dobrou no período. Os estrangeiros saíram da bolsa e ela atingiu a máxima histórica este ano”, reforçou.

Para Spyer, o juros baixos, em condições normais, é “melhor para todos”. “Estamos entrando em um terreno nunca antes explorado no país. Se, de fato, formos para 4,5% ao ano, é realmente espetacular para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Cria-se um novo ciclo virtuoso importante para a economia brasileira”, afirmou. Na avaliação dele, há “muito espaço” para crescimento econômico sem inflação no país.
Inflação
Na visão dele, o risco que haveria de a inflação do país disparar em detrimento de um juros tão baixo é diminuído por uma economia global que se encontra em deflação. “Hoje, um quarto do dinheiro que está em investimentos no mundo tem rendimento de juros negativos”, citou.

A economista da XP concorda que as chances de a inflação sofrer um choque e retomar uma trajetória de alta são difíceis. “Demos um passo muito importante no estabelecimento de uma agenda fiscal, fortalecemos o regime fiscal, e isso mantém a inflação ancorada, ainda que não tenhamos uma dívida baixa. É difícil imaginar que essa conquista vá por água abaixo e o país perca o controle do reajuste de preços novamente, porque hoje a sociedade não aceita inflação alta”, comentou.

Zeina Latif lembrou, entretanto, que o índice de preço tem ciclos naturais de baixa ou alta. “Hoje a inflação global está baixa, temos grande ociosidade na economia, mas é claro que poderá ter uma reversão disso e até um choque em algum momento e o IPCA subir. É natural que isso ocorra”, esclareceu.

Os economistas do Banco MUFG Brasil acreditam que a taxa Selic poderá permanecer em 4,5% até, pelo menos, a primeira metade de 2020. A possibilidade de novos cortes no início de 2020, em caso de atividade econômica mais lenta do que o esperado e de uma revisão para baixo das expectativas de inflação do mercado, também não está descartada pelos analistas do banco.
Em alta
Aumenta procura de investidores pessoas físicas na Bolsa de Valores de São Paulo

Evolução*

Ano Investidores
2009 552.364
2010 610.915
2011 583.202
2012 587.165
2013 589.276
2014 564.116
2015 557.109
2016 564.024
2017 619.625
2018 813.291
2019 1.441.874

Fonte: Correio Braziliense




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