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PUBLICADO 1 mês ATRÁS.

BNDES vai se desfazer de ações da Bolsa para aplicar em outras áreas

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, que tomou posse no início da tarde desta terça-feira (16/7) no Palácio do Planalto, afirmou que a estatal que acelerar a retirada de investimentos em ações especulativas na Bolsa de Valores para aplicar recursos que tenham retorno à sociedade. As declarações foram dadas no auditório do Ministério da Economia, em coletiva de imprensa para apresentar as metas da nova gestão no banco de desenvolvimento.

De acordo com ele, o BNDES tem uma carteira de ações em torno de R$ 110 bilhões. Segundo ele, boa parte desses recursos estão aplicados em papéis meramente especulativos. “São posições de ações listadas na Bolsa de Valores que, se o preço da ação sobe, há um mero ganho financeiro para o banco, sem nenhuma entrega de valor para a sociedade”, declarou.

Para Montezano, o BNDES vai focar em qualquer tipo de empreendimentos para o desenvolvimento de negócios que deem ganhos paralelos que voltam para o cidadão. Ele utilizou o exemplo citado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a cerimônia de posse.

“Quando se constrói uma estrutura de saneamento e aquela empresa ou ativo começa a produzir receitas, quem fez o investimento terá o lucro, mas as famílias também terão menos doenças, as pessoas vão conseguir trabalhar melhor, teremos uma urbanização mais apropriada e menos mortalidade infantil”, disse Monte. “Esse retorno é incomparavelmente maior do que um simples investimento na Bolsa de valores. Deixar recursos em ações especulativas não é o melhor uso do dinheiro”, completou.

O presidente do BNDES declarou que não há, porém, um valor ou prazo como metas para os desinvestimentos na Bolsa. A intenção é ter um plano concretização e em operação até o fim deste ano. “A ideia é acelerar num ritmo mais forte que está acontecendo hoje, de forma que nós possamos pegar estes recursos, e não estou falando que são maus investimentos, que seriam muito mais bem aplicados em outras áreas”, declarou.

Ações

Da carteira de investimentos do BNDES na Bolsa de Valores, há R$ 45 bilhões na Petrobras, R$ 17 bilhões na Vale, R$ 11 bilhões na Fibria, R$ 7 bilhões na JBS e R$ 6 bilhões na Eletrobras. Ou seja, o grosso da carteira é em poucas empresas e que têm grande relevância no mercado de capitais.

Para Montezano, a saída de investimentos faz parte da estratégia e “arte do negócio”. “O bom investidor tem que entender a dinâmica de mercado, as principais diretrizes e as janelas, para aí sim construir a estratégia. Não tem o plano exato para cada uma delas, estamos construindo, mas essa é arte do negócio de quem trabalha com investimentos”, afirmou.

Ele ainda disse que o fato da empresa ter vínculo com a caixa-preta está desvinculado do processo decisório para os desinvestimentos.

Questionado sobre aplicações na Vale que, segundo economistas, não está num momento bom para ser vendida após o caso de Brumadinho, ele declarou que haverá critérios para realizar os desinvestimentos e avaliação para garantir os maiores ganhos possíveis para o BNDES, mas que o social é prioridade para o banco de desenvolvimento.

“Nenhum desinvestimento é feito independente do valor do ativo. Ninguém quer vender um carro por zero”, disse. “Respeitada a governança de desinvestimento, temos que fazer essa realocação de portfólio do banco em atividades mais produtivas”, acrescentou o presidente.

Montezano declarou ainda que, apesar das ações, há pessoas que estão sem escolas e cidades com falta de saneamento. Para ele, alocar recursos no social dá maior retorno financeiro para a sociedade. “Será que esperar dois anos para vender ações da Vale, para subir 10%, vai render mais que uma criança que ficará mais dois anos na escola?”, questionou. “Vamos pensar o Brasil como sociedade e não como especulador de Bolsa. Quanto vale dois anos de uma criança fora da escola? Ou de uma pessoa sem saneamento em casa? Ou de uma rua sem iluminação?”, completou.

O novo gestor do BNDES alegou que a alocação de recursos nestas áreas gera mais retorno financeiro com o imposto de renda, com o ICMS, em produtividade e menos gastos com saúde.

De acordo com Montezano, o objetivo não é acabar com o BNDES Par, que é uma sociedade por ações com registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Apesar disso, ele não descartou a possibilidade. “Nós ainda não temos conclusão de que temos que fechar ou não o BNDES Par. Até o final do ano vamos ter esse plano e as conclusões que chegarmos sobre isso farão parte do plano”, apontou.

O presidente do BNDES ressaltou ainda que a intenção não é vender os R$ 110 bilhões por completo, mas todas as aplicações que têm viés “puramente especulativo” e sem ganho social. Sobre a possibilidade de investir em novas ações, Montezano alegou que poderá fazer as operações, desde que traga valores laterais e indiretos de benefícios ao Brasil.

Fonte: Correio Braziliense




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