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PUBLICADO 5 meses ATRÁS.

BC muda regras e estima liberação de R$ 135 bilhões no mercado de crédito

O Banco Central anunciou, nesta quinta-feira (20/02), duas medidas que reduzem as reservas obrigatórias nas operações de longo prazo, devendo injetar R$ 135 bilhões no mercado de crédito. Com isso, os bancos passarão a ter mais liquidez, a partir de março, diante de uma atividade econômica cada vez mais fraca que não tem pressionado a inflação neste início de ano.

A primeira medida reduziu de 31% para 25% a alíquota do recolhimento compulsório dos depósitos a prazo, liberando R$ 49 bilhões a partir de 16 de março. As taxas para depósitos à vista e para a poupança foram mantidas.

A segunda medida diminuiu os valores dos ativos das reservas adicionais para as operações de crédito, o Indicador de Liquidez de Curto Prazo (LCR, na sigla em inglês), uma das regras de Basileia 3. O impacto dessa medida adiciona passará de 21,6% para 18% e, com isso, serão mais R$ 86 bilhões disponíveis para o caixa das instituições financeiras a partir de 2 de março, conforme as estimativas do BC.

“Em conjunto, essas medidas têm o objetivo de aumentar a eficiência do sistema financeiro e melhorar a administração dos recursos”, afirmou o diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, durante o detalhamento das medidas na sede da instituição. Ao dar um exemplo de captação de recursos a prazo de R$ 100, com essas duas medidas, o valor disponível no caixa dos banco para realizar operações passará dos atuais R$ 47 para R$ 57.

Apesar de atividade econômica não dar sinais de uma recuperação robusta, ele negou que as novas regras vão em direção de tentar estimular a atividade econômica. “A redução do compulsório é uma medida estrutural, que estava na agenda do BC+ e foi mantida na agenda BC#. A medida vai reduzir a sobreposição de dois instrumentos”, disse. “O objetivo do Banco Central é entregar a meta de inflação e estimular a economia com a redução da taxa de juros”, acrescentou.

Nesta semana, instituições financeiras já começaram a reduzir as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano para menos de 1,5%. O Banco Fator, por exemplo, prevê expansão de 1,4%, mas o diretor do BC, no entanto, não descartou que “um dos efeitos” das medidas poderá ajudar na melhora das atividades, mas a disponibilização dos recursos ficará a critério dos bancos. Contudo, ele admitiu que esses recursos também podem “não fluir para a atividade bancária, considerando o atual ciclo”. “Essa medida é macroprudencial na ausência de um redesconto operacional de liquidez, o LFL, que deverá ser colocado em breve no mercado”, afirmou.

Serra evitou fazer estimativas se essas medidas que devem reduzir os custos dos bancos para realizarem empréstimos, vão ter um impacto no spread bancário, onde estão embutidos as despesas de operação, os impostos e o lucro dos bancos. Ao ser questionado pelo Correio sobre o peso do compulsório na composição do spread medido pelo BC, ele apenas disse que o valor “é muito pequeno”.

O diretor fez uma crítica ao depósito compulsório uma vez que outros países não adotam essas duas regras prudenciais como o Brasil. “O depósito compulsório é uma jabuticaba”, afirmou. Ele destacou que a segunda medida está “em total alinhamento de Basileia 3”, regras globais do mercado financeiro, mas ainda há espaço para reduzir.

Estoque

A última vez que o BC reduziu o compulsório foi em julho do ano passado, mês em que o Comitê de Política Monetária (Copom) deu início ao ciclo de redução da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 4,25% ao ano, o menor patamar da história.

De acordo com dados do Banco Central, em janeiro, o total dos depósitos compulsórios era de R$ 450 bilhões. As alíquotas de recolhimento do depósito compulsório à vista permanecem em 21%. Enquanto isso, os percentuais para a reserva bancária da poupança rural e livre continuam em 20%.

Fonte: Correio Braziliense




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