Conteúdos e cursos para contadores, empresários, gestores, advogados e estudantes

×
Siga-nos:
Classe Contábil
PUBLICADO 5 meses ATRÁS.

Alto custo tributário e operacional limita adesão de fintechs à regulação

Alto custo tributário e operacional limita adesão de fintechs à regulação

O alto custo tributário e operacional tem limitado a entrada de novas fintechs para a regulação de empréstimos entre pessoas (Peer to peer lending ou P2P). A baixa taxa básica de juros (Selic), porém, deve mais do que dobrar as carteiras dessas iniciativas neste ano.

Mesmo um ano após a regulamentação do Banco Central (BC) para a operação de fintechs no mercado de crédito, apenas quatro plataformas conseguiram a autorização: a Creditas, a QI Tech, a HB Capital e a Mova.

Apesar de serem duas as modalidades propostas, tanto a Sociedade de Crédito Direto (SCD) como a Sociedade de Empréstimos entre Pessoas (SEP), apenas outras 14 iniciativas aguardam a permissão do BC. Segundo o último levantamento do FintechLab, de agosto do ano passado, das 404 iniciativas contabilizadas, 70 atuam no mercado de crédito.

De acordo com o CEO da IOUU, Bruno Sayão, além da exigência mínima de R$ 1 milhão em patrimônio, o aumento entre 40% e 50% da carga tributária imposta acabam sendo obstáculos na aderência das fintechs à regulação da autoridade monetária.

“Isso tira um pouco do sentido para algumas fintechs, já que as exigências podem minar a operação. Mas como o Banco Central deu o aval para a continuidade da operação como correspondente bancário, esse é um segmento que mostra grande potencial de crescimento para os próximos anos”, comenta Sayão.

Além disso, os sócios-fundadores da TuTu Digital, Leandro Zen e Alan Soares Martins, o atual cenário de crédito e macroeconômico brasileiro também tendem a colaborar para o avanço do P2P, tanto entre os investidores como entre os tomadores que, em sua maioria, correspondem por micro e pequenos empreendedores.

“Apesar desses empresários corresponderem por quase um terço do PIB [Produto Interno Bruto] do País, eles dificilmente conseguem um acesso fácil ao crédito entre os grandes bancos”, afirmou Zen.

Ele reitera, ainda, que como o custo de operação dessas plataformas é bem menor do que o existente no sistema bancário, não apenas os juros são abaixo daqueles ofertados pelo mercado como a rentabilidade oferecida aos aplicadores também é positiva.

“De um lado, os juros para os empréstimos estão por volta de 3,5%. De outro, o retorno para os investidores chega a 36% ao ano. E mesmo que a inadimplência avance, aumentando o risco, esse prêmio anual ainda seria de 23%”, avalia o executivo da TuTu. Ele avalia que, conforme a estratégia, uma inadimplência até entre 7,5% e 10% traz a validação para o negócio como algo vantajoso aos investidores.

Os últimos dados do Banco Central apontam que a taxa média de juros do sistema financeiro em março, alcançou os 25,3% ao ano. A inadimplência média geral, por sua vez, ficou em 3%. Na IOUU, a taxa média de calotes é de 1,4% e, na TuTu, de 1,92%.

Da mesma forma, a Selic no menor nível histórico do País, em 6,5% ao ano, também contribui para que a modalidade se torne uma boa opção aos investidores mais arrojados, uma vez que, nesse caso, o risco da aplicação é o próprio nível de inadimplência.

“O grande benefício e o ponto chave do negócio é a possibilidade de diversificação do investimento em diversas oportunidades, escolhendo as que mais se adequam ao perfil de risco desejado. E com o maior apetite a risco por parte de quem aplica o dinheiro, a tendência é que o segmento cresça cada vez mais”, complementa Sayão, da IOUU.

Ambas as plataformas projetam chegar ao final deste ano com uma carteira de R$ 10 milhões. Nos dois casos, o número seria mais do que o dobro, já que a atual carteira da IOUU está em R$ 2 milhões e a da TuTu Digital, em R$ 4 milhões.

“Os micro e pequenos negócios fazem parte de um mercado completamente desassistido pelos bancos e trazem uma boa oportunidade aos investidores. É uma modalidade que tem tudo para crescer”, completou Martins, sócio da TuTu.

Cadastro Positivo

O Cadastro Positivo, recentemente sancionado, também poderá dar fôlego às fintechs que atuam nessa modalidade de crédito. “No final das contas, outras formas de avaliação dos tomadores, o que pode trazer juros mais baixos no sistema e tornar o mercado mais competitivo”, conclui Zen.

Fonte: Diário Comércio Indústria & Serviços




COMPARTILHAR

Deixe uma resposta

*Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Leia também

Receba gratuitamente nosso boletim de artigos e notícias em seu e-mail