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PUBLICADO 2 meses ATRÁS.

Alinhamento do Brasil aos EUA não favoreceu balança comercial brasileira

A aproximação ideológica de Jair Bolsonaro e Donald Trump não trouxe grandes frutos além da formalização do apoio para a adesão do país à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O comércio bilateral não aumentou desde então e, para piorar, a balança comercial voltou a ficar desfavorável para o Brasil, com saldo negativo para o país.

Nem mesmo o acordo bilateral tem chances de avançar, devido à sinalização do Congresso norte-americano contra qualquer acordo comercial com o Brasil de Bolsonaro. “Tudo indica que o saldo dessa aproximação ideológica de Bolsonaro com Trump serão os 2 milhões de doses de hidroxicloroquina que a Casa Branca enviou ao Brasil”, ironiza o cientista político David Fleischer, professor emérito da Universidade de Brasília (UnB).

“Essa aliança ideológica não implicou aumento do comércio bilateral. Aliás, o comércio está desabando, e uma decisão política alinhada com os Estados Unidos sobre a questão da tecnologia 5G, barrando os chineses, pode ser ainda mais danoso para o Brasil, porque o país depende muito mais das exportações de commodities para a China”, alerta o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Para ele, o governo brasileiro precisa evitar esses alinhamos ideológicos e ser mais pragmático do ponto de vista comercial. “Se nossos governantes puderem ficar de boca fechada, é muito melhor para os negócios”, destaca. Na opinião dele, o acordo de cooperação com os EUA não agrega nada ao Brasil, porque o país norte-americano já tem tarifas muito baixas para importações. “No fundo, o acordo é muito mais vantajoso para eles, beneficia muito mais os EUA, porque as tarifas de importações daqui vão cair e a indústria ainda vai deixar de produzir localmente, já que será mais barato importar”, compara.

Tombo

Conforme dados do Ministério da Economia,neste ano, as exportações do Brasil para o segundo maior parceiro comercial encolheram 31,7% em comparação com 2019. O saldo da balança acumulado entre janeiro e junho passou de um superavit de US$ 932 milhões, em 2019, para US$ 3,1 bilhões, neste ano, o maior rombo desde 2014.
No Itamaraty, há uma divisão interna sobre os rumos que estão sendo tomados pelo chefe da pasta, que é considerado um diplomata “raso”, por ter pulado etapas na carreira para virar ministro.

“O ministro Ernesto Araújo é um diplomata júnior que segue as orientações do guru bolsonarista Olavo de Carvalho para um desmonte do Itamaraty. Ele já está se tornando um problema para Bolsonaro, e, provavelmente, deverá ser exportado para os EUA como o ex-ministro da Educação (Arthur Weintraub), que foi indicado para ser diretor do Banco Mundial nos EUA+”, compara.

Até o fechamento desta edição, o Ministério das Relações Exteriores, procurado pela reportagem, não se pronunciou em relação às críticas nem sobre como a pasta monitora as eleições norte-americanas sem ter um embaixador desde o início do governo.

As manifestações recentes de empresários e de ex-ministros, na avaliação de especialistas, mostraram que a proteção ambiental não é mais um assunto dissociado da economia, pois estão cada vez mais interligadas. Na sexta-feira, um estudo publicado na revista Science contribuiu ainda mais para a piora do país lá fora, por mostrar que pelo menos 17% da carne e 20% da soja exportadas para a União Europeia podem ter sido produzidas em áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia e no Cerrado. (RH)

Na contramão

O alinhamento ideológico do governo Jair Bolsonaro ao de Donald Trump não tem resultado em aumento do comércio bilateral.

 

Valor no acumulado de Jan-Jun

(Em US$ bilhões)
2009 -2,5
2010 -3,1
2011 -4,0
2012 -2,3
2013 -6,0
2014 -4,7
2015 -2,4
2016 -0,5
2017 0,4
2018 -0,6
2019 0,9
2020 -3,1

Fonte: Correio Brasiliense




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