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Classe Contábil
PUBLICADO 9 anos ATRÁS.

A janela de vidro e a Auditoria

Conta-se que um casal acabara de mudar para uma casa nova, luxuosa e que tinha uma grande janela de vidro na cozinha através da qual poderia ver o quintal do vizinho da frente.    Eles sempre tomavam café da manhã na cozinha e aproveitavam, para observar a linda paisagem através da janela.

Mas certo dia a mulher ao ver a vizinha estender seus lençóis no varal, ficou intrigada com a cor deles e disse para seu marido:

_ Você viu como os lençóis dela estão encardidos e sem vida? _ Talvez ela não saiba lavar roupas ou ainda ela não tenha usado sabão. E os dias foram se passando, e todo o dia a mesma coisa. A vizinha colocava os lençóis no varal e mulher comentava com o marido.

Acontece que certo dia, a mulher ao voltar os olhos para o quintal da vizinha, quase não conseguiu firmar a vista, pois os lençóis estavam impecavelmente brancos e cheios de vida. Ela comentou com seu marido que já estava sentado à mesa, porém ele disse a ela que como naquele dia ele não iria trabalhar, acordara mais cedo e pegou sabão com detergente e resolveu lavar todos os vidros da janela. Ele disse ainda que os lençóis da vizinha sempre estavam brancos e bem lavados, porém a janela deles é que sempre estava encardida e empoeirada.

Mas o que a janela tem a ver com a auditoria? Como nós sabemos, mais uma vez, outro escândalo envolvendo as grandes empresas de auditoria veio à tona e teve grandes repercussões no mundo empresarial.  

Porém, é prudente que analisemos o caso em sua totalidade, para só então, tirarmos nossas conclusões. O fato é que estes escândalos colocam em risco a credibilidade não só da auditoria, mas do trabalho do profissional contábil também. Por essas razões, nós contadores não podemos fazer como a vizinha da janela e criticarmos o trabalho dos auditores, e esquecermos de nossa janela que poderá estar suja.

Pude notar que após esses escândalos, muitos passaram a disparar pesadas críticas ao trabalho feito pelos auditores.

Não quero fazer comentários precipitados, muito menos ser injusto, até porque tudo ainda deve ser apurado. Mas o que devemos entender é que o papel da auditoria segundo Lopes de Sá (1998,pag.29) seria o da “opinião da fidedignidade das demonstrações contábeis”.

Dessa forma, o papel da auditoria seria o de comparar a veracidade das demonstrações financeiras em confronto com os documentos existentes, observando as técnicas contábeis aceitas e em conformidade com as prerrogativas dos órgãos competentes.

O papel do auditor não é caçar fraudes e armações contábeis, mas sim de verificar a conformidade das demonstrações financeiras de acordo com os documentos apresentados, em concordância com as técnicas contábeis de escrituração, com o intuito de oferecer segurança e credibilidade aos usuários da contabilidade e da auditoria.

O próprio Lopes de Sá acerca do auditor diz que “a opinião requer compromisso com a realidade objetiva”.

 

Por outro lado, cabe a nós contadores avaliarmos a realidade e a veracidade de nossas demonstrações financeiras, bem como fazermos em nosso foro íntimo nossa própria auditoria nos serviços contábeis que estamos oferecendo aos nossos clientes e usuários. 

Indo mais além,vale lembrar que a contabilidade hoje passa por grandes transformações, culminando gradativamente num poderoso e imprescindível instrumento de gestão e controle, capaz de analisar as informações financeiras e ajudar os seus usuários no norteamento de suas ações e planejamento.

    O usuário da contabilidade hoje não se preocupa em tentar sonegar impostos, fazer simulações contábeis. Hoje, ele procura uma contabilidade que lhe forneça informações exatas e reais para que ele possa planejar o futuro e atingir a eficácia do patrimônio e dos ativos que ele investe nas empresas.

    Então, assim como aquele homem que lavou o vidro da janela, devemos também voltar nosso sentido para a qualidade e a ética na prestação de nossos serviços. Assim como a auditoria, o futuro da contabilidade depende de nosso empenho e esforço no sentido de apresentarmos informações condizentes com a realidade dos fatos e revestidas de um rigor ético.    

Para vermos a brancura dos lençóis do vizinho devemos lavar nossas janelas, em contrapartida, para que o mercado contemple e aprove nosso serviço, é preciso também que assim como aquele homem que lavou os vidros da janela, nós também busquemos oferecer um serviço diferenciado e de qualidade, e acima de tudo aplicando todos os preceitos éticos de nossa profissão.




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