Empresas mantêm negócios com administração familiar

12/07/2006

Na contramão da onda de profissionalização das áreas estratégicas das empresas de origem familiar, a Dedini, o Frigorífico Ceratti , Lupo e a Di Cunto — todas com mais de 70 anos de tradição — continuam apostando no potencial dos seus futuros herdeiros para sucederem o comando dos negócios familiares. Essas companhias, que já estão entrando em sua quarta geração, parecem seguir uma unanimidade: todas já têm um herdeiro participando ativamente do dia-a-dia da organização.

A Dedini, fundada em 1920, já tem uma herdeira preparada para assumir a sua presidência. A sucessora será Juliana Dedini Ometto, atualmente, presidente do conselho da empresa. O atual presidente da Dedini, Dovílio Ometto, com 87 anos, prepara a sua filha para continuar a gestão familiar.

De acordo com Mariana Dedini, uma das herdeiras da empresa, alguns cuidados estão sendo tomados para que a sucessão não tenha um impacto negativo. Entre eles estão o investimento na educação profissional da executiva, para que ela possa entender qual será o seu papel no mais alto cargo da organização. “A empresa está implantado o seu plano de sucessão para que a transição da presidência seja pacífica entre os principais executivos e demais funcionários”, diz.

A empresa aposta na gestão familiar porque até hoje tem colhido bons resultados no mercado em que atua, fornecendo equipamento industrial para o setor sucroalcooleiro e energético. Com um faturamento de R$ 674 milhões, a Dedini está também partindo para um novo mercado e passará a desenvolver tecnologias para o biodiesel.

Atualmente, a Dedini atua em quatro nichos de mercado: sucroalcooleiro, que responde por 45% dos negócios; energia (15%); equipamentos (15% ); equipamentos de inox (25%).
A sua estrutura conta com 10 fábricas instaladas em Recife, Maceió, Piracicaba e Sertãozinho. Ao todo, são 4 mil funcionários.

Outra empresa que mantém a tradição familiar na condução dos negócios é o Frigorífico Ceratti, fabricante da mortadela Ceratti. Com 74 anos de atuação no segmento, a empresa, de pequeno porte, fabrica diariamente 35 toneladas do produto para atender aos mais de 1,2 mil pedidos que ela recebe por dia. A marca Ceratti é o seu carro-chefe, respondendo por 65% do negócio. O frigorífico, que faturou, no ano passado, R$ 66 milhões prevê alcançar R$ 70 milhões este ano. Outro indicativo positivo do modelo de gestão da empresa é a participação que ela tem no segmento. No setor de mortadela premium, o produto Ceratti tem 80% do mercado.

Segundo Mário Ceratti, diretor-geral do Frigorífico, um dos seus desafios hoje é conduzir a sucessão na administração. Uma herdeira já está sendo preparada para a função. Ela atua ao seu lado e acompanha ativamente os negócios.

O executivo conta que já são perceptíveis os conflitos na empresa por causa das diferenças nos estilos de lideranças. “A empresa tem mais de 70 anos. Com isso, no momento, de um lado, temos uma forte tradição, e, do outro, uma sucessora com novas idéias.

Mas, isso não quer dizer que podemos mudar a gestão da empresa rapidamente. Isso acontecerá aos poucos, de acordo com as necessidades do mercado”, diz.

Para minimizar os conflitos internos, a empresa contratou um consultor que faz o aconselhamento da carreira da herdeira. “A transição na empresa não pode interferir nas nossas operações e nem no relacionamento com os funcionários. A empresa familiar tem um forte vínculo com os funcionários. É quase que uma relação paternalista”, explica.

Hoje, o Frigorífico Ceratti tem 140 funcionários. A política salarial tem uma peculiaridade: o salário mínimo é de R$ 1,3 mil.

Tendência

A tendência de manter a gestão familiar nas empresas tradicionais chegou também na Lupo, especializada na fabricação de meias. Depois de tentar introduzir uma profissionalização na gestão, no início da década de 90, a Lupo quase fechou as portas, segundo Elvio Lupo, membro do conselho Lupo. “Não foi um bom negócio tirar a família da administração. Agora estamos formatando um modelo para corrigir alguns erros do passado e voltamos a estrutura familiar”, afirma.

A solução de governança encontrada pela Lupo foi criar um plano de aproximação com os seus 45 herdeiros. Para isso, foi criado um conselho de administração, que conta com 7 membros da família. O relacionamento com os herdeiros será intensificado através de um portal construído exclusivamente para a comunicação com sucessores.

As empresas de menor porte são as que mais se preocupam em preservar a administração familiar. Esse é o caso da paulista Di Cunto, do segmento de massas e panificação. Ela está se organizando e já tem o herdeiro para conduzir as operações da companhia. Trata-se de Marco Di Cunto, da terceira geração da família e que, no futuro, será o principal executivo da organização.

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